Corrida: seu joelho pode estar em risco!
- Marcelo Costa
- 13 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 23 de mar. de 2025
A corrida é um excelente exercício para promover a saúde cardiovascular, mas alguns cuidados são essenciais.

A corrida é uma das modalidades mais antiga que conhecemos, sendo praticada desde a origem da humanidade, seja por questões de sobrevivência, como faziam nossos ancestrais para fugir de predadores ou por atletas de diferentes esportes com o objetivo de melhorar a capacidade aeróbica.
No Brasil, é estimado que cerca de 2% da população seja praticante de corrida, impressionantes 13 milhões de pessoas.
Entre os corredores, podemos classificá-los como profissionais, os atletas que dependem da modalidade como geração de renda, amadores, a maioria dos atletas participantes em provas de final de semana sem finalidade de renda, e entusiastas fitness, que utilizam esta atividade para fins estéticos ou de saúde.
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A corrida, realizada de forma regular, possui adaptações orgânicas que resultam em muitos benefícios, tais como:
Redução do risco de infarto do miocárdio;
Redução do risco de alguns tipos de câncer;
Redução do risco de diabetes do tipo II;
Redução do risco de hipertensão;
Redução do risco de doenças neurodegenerativas;
Redução do risco de osteoporose;
Melhora do colesterol;
Controle da glicose sanguínea;
Aumento da resistência física;
Emagrecimento;
Melhora do sono;
Melhor qualidade de vida e bem estar;
Aumento da longevidade.
A corrida promove saúde e qualidade de vida.
Existem diversas formas de utilizar a corrida como exercício físico. A forma mais comum são as corridas contínuas, onde a pessoa estipula um tempo e realiza a atividade em velocidade constante do início ao fim. Outro formato é a utilização de intervalos no qual é utilizado períodos de corridas intercalados com período de repouso, como o HIIT.
Apesar dos reconhecidos benefícios da corrida, é necessário alguns cuidados para reduzir o risco de lesões ortopédicas, que são comuns em atividades com características uniforme, contínuas e de longa duração.
A região corporal frequentemente acometida nos corredores é o joelho, uma articulação muito envolvida na absorção dos impactos da pisada e na propulsão do movimento.

As lesões mais comuns diagnosticas em joelhos de corredores são a condromalácea patelar, a tendinite patelar e a artrose.
A condromalácea patelar é a degeneração da cartilagem da patela, que tem a função de absorver os impactos e facilitar o movimento da articulação do joelho, sendo classificada em graus:
Grau 1 - a cartilagem apresenta um amolecimento, sem fissuras aparentes;
Grau 2 - há sinais de fissuras na cartilagem;
Grau 3 - fissuras mais aparentes e profundas;
Grau 4 - osso exposto.
A tendinite patelar é a inflamação do tendão da patela, desencadeada após sobrecargas que geram tensão demasiada sobre a articulação do joelho.
A artrose é a degeneração da cartilagem articular, incluindo os meniscos, fundamentais na absorção dos impactos entre a tíbia e o fêmur. Esta condição afeta os corredores mais velhos e, dependendo do grau, é o fator que irá encerrar a participação em corridas.
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Calçados inadequados, terrenos irregulares, alto volume de impactos e cargas, períodos de recuperação insuficientes e um desequilíbrio de força nos músculos do joelho e quadril são fatores que desencadeiam estas condições clínicas.
Um estudo analisou o efeito de 50 minutos de corrida, a 60-70% da frequência cardíaca de reserva, 5 dias por semana, sobre a cartilagem articular do joelho em jovens. Após 12 semanas de treinamento, os pesquisadores observaram uma redução média do volume da cartilagem em 2,21%.
Essa redução da cartilagem articular pode evoluir para processos de maior degeneração, que podem necessitar de tratamentos mais agressivos e, até mesmo, em prótese total da articulação.
Porém, outras articulações também podem ser vitimadas pela corrida, como o tornozelo, quadril e lombar, pois todas estas são sobrecarregadas sem qualquer pausa durante todo o período em que o praticante está correndo.
A corrida pode causar a artrose no joelho.
Para que a prática da corrida seja uma atividade considerada benéfica e saudável, é necessário controlar as variáveis que colocam o seu sistema musculoesquelético em risco. Abaixo, seguem algumas dicas fundamentais:
Não inicie esta prática sem uma avaliação adequada das suas articulações;
Converse com um profissional de educação física para dar as orientações importantes;
Escolha calçados, vestimenta e terrenos adequados para suas corridas;
Evite começar com corridas longas, pois poucos minutos já serão suficientes;
A velocidade da corrida deve estar dentro da sua zona de frequência cardíaca;
Se você estiver acima do peso, faça corridas intercaladas com caminhadas e não corra todos os dias;
Participar em provas de corridas pode ser uma motivação extra, mas nunca esqueça de respeitar o seu ritmo pois o ímpeto em querer um bom desempenho acima da sua capacidade pode virar uma grave lesão;
Se você sente qualquer sinal de dor ou desconforto após um dia de corrida, procure descansar no dia seguinte ou faça outra atividade que não envolva sobrecargas de impacto sobre os joelhos, como natação ou ciclismo;
Quanto mais frequente e maior for seu nível de corredor, mais ajuda de um profissional de educação física você necessita para fazer um planejamento adequado.
Se você faz parte daquele grupo que não vive sem uma corridinha para iniciar o dia, é importante escutar os sinais que seu corpo está lhe dando para que sua rotina de corridas seja sempre saudável.
Boas corridas!
Se quiser mais informações, nos chame no whatsapp
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Escrito por Marcelo Costa, profissional de educação física e doutor em bioquímica.
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